Rock por uma boa causa

A 5ª edição do Rock Solidário, ação voluntária de assistência social que vale por um festival independente, começa hoje e vai até (pasme) segunda-feira, no Centro Cultural Martim Cererê. Ao todo, 21 bandas se apresentam nos três dias. O preço do ingresso é simbólico, 5 reais. Mas é necessário levar um quilo de alimento não perecível ou um brinquedo (de preferência, em bom estado, meu). Tudo que for arrecadado será doado para instituições de caridade. Os brinquedos entraram no lance porque, este ano, o Rock Solidário uniu suas forças com o projeto Rock do Noel.

O organizador Danilo Gonçalves espera superar a arrecadação do ano passado e distribuir pelo menos 10 toneladas de alimentos. O que, convenhamos, não é desprezível e representa, para muitos, a possibilidade de uma ceia farta. Enquanto a audiência se esbalda com shows de primeira linha. Algumas bandas representam o que existe de melhor no circuito alternativo da cidade. Para completar, o artista plástico Marcelo Dakí trabalha no palco durante as apresentações de hoje. A obra ficará disponível para lances até segunda-feira. Tatuadores também estarão a postos para leiloar desenhos na pele dos interessados.

A programação de hoje, com oito nomes, privilegia o rock pesado. De todos, Spiritual Carnage é o mais barulhento. Formada em 1989, a banda é um exemplo de resistência e longevidade, num estilo (death metal) que não possui admiradores, mas seguidores fanáticos. Os códigos da reverberação diabólica, em decibéis soturnos e urros sorumbáticos, encontram em Hemar Messiah (baixo, vocal) um devoto irrepreensível. Depois de várias formações, Hemar é acompanhado, no momento, por Guilherme Aguiar e Thiago Tsuruda (guitarras) e Alessandro Animal (bateria).

Numa outra vertente do barulho, Black Drawing Chalks encerra a noite acendendo o estopim do rock pesado numa trilha mais tradicional, sem perder a musculatura. Quatro discos no cardápio, sendo um ao vivo, alavancaram o quarteto no rumo das turnês internacionais. Atualmente, é a banda de maior prestígio entre os cavaleiros do apocalipse. Amanhã, o Rock Solidário dá uma pisada na embreagem e diminui a velocidade com blues e tributos ao grunge, com Mad Hero, e ao Pink Floyd, com Cascavelvet. Hellbenders, no encerramento, a partir do disco Brand New Fear, mostra porque é um nome com alto potencial explosivo.

TNY e Abluesados defendem as cores do blues, sem concorrentes do mesmo naipe. Embora o disco mais recente da TNY, Rocking Horse, seja digno de figurar, com todas as honras, na galeria do hard rock da velha escola dos anos 1970. Mas há rumores de que André Mols (voz, guitarra), Carlos Foca (baixo) e Fred Valle (bateria) estão no trampolim, preparando o salto para um novo mergulho das águas do blues elétrico. Enquanto isso, a turma dos Abluesados, Luciano Ninomia (voz, guitarra), Fridinho (guitarra), Maurício Machado (baixo) e Marcelo Bempar (bateria), que recebe a visita constante de Uirá Cabral (voz, gaita), segura as pontas no estilo de Chicago.

Segunda-feira, em termos, será o dia mais pop do Rock Solidário. Rádio Carbono e Carta Bomba, por exemplo, que injetam ideias arejadas no cenário, calibram a energia dos ianques com a flexibilidade da música brasileira. A psicodelia e o progressivo, no Rádio Carbono, dão as mãos para samba, frevo e maracatu. Sem falar do tango argentino, em combinações inusitadas. Chico Science e Nação Zumbi também são referências para Carta Bomba. Mas nenhuma banda é dona de um nome tão estranho quanto a novíssima Cartola do Mussum, um mix de samba, rock e MPB.

Convidada de fora, a banda Rocan chega de Brasília com a moral de quem abriu show para O Rappa e dividiu palco com Tijuana, Charlie Brown Jr e CPM 22. Pistas para definir o som dos caras. A irreverência dos ChimpanZés de Gaveta abre espaço para o sacolejo da música negra em variantes espalhadas pelo mundo, de um jeito próprio e vibrante. Caboclo Roxo coloca o ponto final no Rock Solidário com porções generosas de vamunha, afoxé, aguerê, maracatu e, sim, rock´n´roll. Vixe!

Programação
Hoje
Adax
Gomorrah in Blood
Sangue Seco
A Última Theoria
M.U.P (Tributo a Judas Priest)
Spiritual Carnage
Puteiro (Tributo a Pantera, de Brasília)
Black Drawing Chalks

Domingo
Criatura Nuclear
Mad Hero (Tributo ao grunge)
Cascavelvet (Tributo ao Pink Floyd)
TNY
Overfuzz
Abluesados
Hellbenders

Segunda-Feira
Rádio Carbono
Carta Bomba
Cartola do Mussum
Rocan (Brasília)
ChimpanZés de Gaveta
Caboclo Roxo

Rock Solidário
Quando:
de Sábado, 21 de Dezembro, a Segunda-Feira, 23 de Dezembro
Onde: Centro Cultural Martim Cererê (Rua 94-A. St. Sul. Fone: 3201-4688)
Horário: 17 horas
Ingresso: R$ 5, mais um quilo de alimento não perecível ou um brinquedo

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