Como separar os homens dos meninos

Isca – Volume 1, da banda Isca de Polícia, leia-se Paulo Lepetit (baixo, vocal), Marco da Costa (bateria), Jean Trad (guitarra lado direito), Luiz Chagas (guitarra lado esquerdo), Vange Milliet e Suzana Salles (vocais), é um disco atemporal. Ele jamais perderá sua capacidade assombrosa de ser radicalmente moderno.

O grafismo da capa de Gal Oppido é a primeira ousadia. A segunda é se apropriar do nome da banda do eterno Itamar Assumpção. A terceira ousadia é o repertório montado em cima de canções de Péricles Cavalcanti, Arrigo Barnabé, Carlos Rennó, Alice Ruiz, Ortinho, Vange, Tom Zé e os populares Zeca Baleiro e Arnaldo Antunes.

Algumas em parceria com Lepetit, que ousou na produção e nos arranjos. Aplaudo em pé, comovido. Aqui sim, impera a novidade, a busca incessante da originalidade, a recusa de toda fórmula cansativa disfarçada de homenagem.

Não poderia haver melhor acerto no Isca de Polícia do que entregar o prazer do canto para Vange e Suzana. Elas desempenham a tarefa com uma flexibilidade incomum e rara. Os arranjos absolutamente suingados evitam a mesmice como o diabo foge da cruz. As composições enveredam por temas inesperados.

Eis uma gema preciosa destinada a cair nas mãos certas e abertas. Espero que estas mãos pratiquem o milagre da multiplicação da genialidade. Isca – Volume 1 é um ponto lá longe, fora da curva. Que venha o Volume 2. Mal posso esperar.

Doris Encrenqueria é um nome ruim para uma banda de rock. Mas a tia que aparece na capa do CD é tão bonachona, com os braços imensos tatuados, que dei a chance de uma audição aos moleques Pedro Lipatin (guitarra, vocal), Henrique Cabreira (guitarra, vocal), Eduardo Hollywood (baixo, vocal) e Eduardo Schuler (bateria).

Nenhuma novidade no front, meus amigos. O rock da Doris Encrenqueira é feito com a matriz do passado. Não há nada aqui que vocês não tenham ouvido. Mas a produção da banda e de Sebastian Carsin é muito boa. Os caras têm punch, ataque e pegada. Riffs contundentes e solos inflamados. Vocal poderoso e refrões para berros em uníssono.

As composições são fraquinhas. Um arremedo da velha rebeldia juvenil que só quer saber de farra, mulheres e bebidas. Não surge nenhuma balada no meio do caminho. A grande vantagem é que eles não se espelham em bandas atuais, da moda, que fazem música querendo fazer sucesso. Seja lá o que isso queira dizer hoje em dia.

Doris Encrenqueira não se parece com ninguém dos anos 80 e 90. Na atual circunstância, é uma bênção.

Este texto também foi publicado no site da Interativa.

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