Como dar o fora na Mulher-Maravilha

Diana, a Mulher-Maravilha, cresceu em uma ilha habitada por mulheres. Como pode ser feminista se nunca foi vítima da opressão masculina? Mas ela é oprimida pela mãe, que não quer que ela receba o treinamento de uma guerreira.

Vamos combinar que o problema é a autoridade e não o sexo de quem a exerce. Ou o problema é a mentalidade de quem exerce a autoridade. E a mentalidade feminina, neste caso, é tão opressora quanto a masculina.

Mas a autoridade cede com uma facilidade constrangedora. Logo, a mãe quer que Diana se torne a melhor guerreira de todas. A rainha alimenta um transtorno bipolar, coitada.

O homem entra na vida da Mulher-Maravilha como um deus ex machina. Olha eu aqui e ploft, se arrebenta na praia. Homens gostam de chamar atenção fazendo barulho. Está claro, quando ela o salva, que eles vão se apaixonar. O roteiro é previsível.

A Mulher-Maravilha, com vontade de sacar a espada, vai correr atrás do homem que precisa voltar para um mundo em guerra. Quem suporta mais um filme em que os vilões desalmados, extremamente fáceis de odiar, são os nazistas?

Por que os grandes inimigos da Mulher-Maravilha são velhos? Projeção da figura do pai que ela nunca teve? Que deus da guerra é aquele que se apresenta como um idoso de bigodinho ridículo? Faça-me o favor, Patty Jenkins! Quem leva esse deus a sério?

A Mulher-Maravilha precisava mesmo de um escudo que transfere sua imagem para um Capitão América de saia? Falando nos dois, eles são de fato responsáveis pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial? Céus!

Há heroínas importantes nos Vingadores e nos X-Men. Nenhuma foi saudada com (desculpem a palavra) o empoderamento da Mulher-Maravilha. Elas não são estrelas, não estão no centro da trama, como protagonistas. O Homem de Ferro não deixa.

E a Mulher-Maravilha penetra o universo dominado pelos homens com o olhar da inocência, sentindo dificuldades para decifrar os códigos ocidentais. De novo, quase como a hibernação de Steve Rogers, que se adapta melhor. Ele já era dessa esfera.

O ponto fraco da Mulher-Maravilha é o fator genérico. Mistura da força e da indestrutibilidade do Super-Homem com a agilidade e os bons sentimentos do Capitão América. É evidente que seria colocada na linha de frente dos soldados.

A diferença é que ela toma a iniciativa e, reproduzindo os padrões de violência gráfica, encontra-se aonde decidiu estar. Eu deixei de levar o filme em consideração ao notar uma incômoda semelhança de Gal Gadot com a Patrícia Poeta. Aí, não deu.

Este texto também foi publicado no site da Interativa.

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