Como entrar na luta desarmado

Eu me aproximei da cantora Elaine Marin, de quem nunca tinha ouvido falar, através do clipe de Empírico. Ela no estúdio cantando um meio blues de letra intensa e curiosa: “mas como é mesmo que faz/ onde é mesmo que põe esse desejo tamanho GG/ onde é que eu guardo esse amor/ enquanto meu corpo inteiro ainda não sabe o que fazer?”.

A pergunta é mais bonita do que qualquer resposta que eu possa dar, inutilmente. Bom, mas como foi que eu cheguei ao clipe de Empírico? Minha memória, que sempre me prega peças, avisa que a culpa é do Paulo Lepetit. Faz sentido. Tinha acabado de escrever sobre o disco novo do Paulo, Isca de Polícia, e ele é o produtor de Elaine.

Ambos aprontaram Desarmada. Paulo no baixo e ainda Dino Barioni (guitarra, violão, viola), Webster Santos (guitarra, violão, ukelelê), Marco Costa (bateria), Ari Collares (percussão) e Adriano Magoo (piano, teclados, acordeon). Fora o que tem de convidados. Em especial, muitos vocais. Elaine foi generosa em chamar os amigos.

Tem Titane e Natalia Mallo em A Sorte, o Sonho e o Santo, Zeca Baleiro em Metade, Titane de novo em Ana e Eu, Vange Milliet na faixa título, o grupo Solaris em Faz Toda a Diferença e Tudo É pra Sempre, Paulo Padilha em Fim e Suzana Salles em Quando Você Chora. Muita gente boa reunida aguça a curiosidade daquele que gosta de música.

Intrometido, entrei em contato com a Elaine e pedi Desarmada. Ela mandou mais um. O primeiro, com o nome dela, foi gravado ao vivo em Santo André, em 1999. Tanto tempo de um para o outro, não é? Artistas independentes estão sujeitos aos destemperos do tempo. Por isso, é importante contar pra todo mundo que tem um disco legal circulando.

A princípio, eu acho 14 faixas um tanto exagerado. Mas as 14 faixas de Desarmada não pesam na audição. Pelo contrário, elas passam com muita suavidade. Uma depois da outra, com lirismo encantador. Todas as composições são de Elaine. Ela tem um dom para criar imagens sugestivas. E uma voz delicada, que às vezes quase fala cantando.

O encarte ficou mais bacana do que a capa. As colagens são de Barbara Scodelario. Parece que faltou alguma coisa na armadura. Mas não falta um sopro de vida nessas confissões desarmadas de intenções vulgares. Um disco que termina dizendo que ‘amar é a melhor saída para feridas que não cicatrizam’ merece, sim, um pouco de atenção.

Este texto também foi publicado no site da Interativa.

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