Como ouvir blues com a alma

O blues é a trilha sonora da minha vida. Culpa do Eric Clapton. Não apenas pela música dele. Mas pelas portas que ele abriu. Clapton sempre foi um estudioso e incentivador do blues, que nasceu nos Estados Unidos e cresceu na Inglaterra. Basta citar, entre outros, John Mayall, Jeff Beck, Jimmy Page, Keith Richards e Peter Green.

Ao saber das referências de Clapton, procurei conhecê-las. A partir daí, abriu-se um universo à minha frente. Costumo dizer que atolei os pés na lama do ri Mississippi e acabei atolado até o pescoço. A relação não é de amor e ódio. É de aproximação e afastamento. O blues está presente, às vezes, à distância.

Sou curioso e quero conhecer, de tudo, um pouco. De música, evidente. Fiquei muito tempo estacionado nos anos 1970. Eles são irresistíveis em termos de criatividade. Exorcizei-os, determinado, certa vez. Para horror de alguns amigos irredutíveis, explorei searas que eles consideravam intragáveis.

Arrisquei-me, inclusive, na música eletrônica. Nada muito aprofundado, bem entendido. O suficiente para conhecer os expoentes. O blues, contudo, é o eterno porto seguro. Com o perdão do clichê desgastado. É para onde volto, com saudade. A fonte do blues me renova. Dá energia. Dali, parto para novas aventuras.

O entorno do blues me pegou de jeito. O jazz, o soul e o funk, aquele mais antigo (por favor), estão agregados ao blues. São indissociáveis. É a chamada música negra. Música não tem cor, certo? Você atribui a ela a cor que bem entender. Blues tem uma conotação de azul. Neste caso, estamos falando da música feita por artistas negros.

Ela acabou fazendo sucesso ao ser apropriada por artistas brancos. A relação entre os Estados Unidos e a Inglaterra, mais uma vez, é um exemplo disponível. Atualmente, ando saturado de música. Sem vontade de conhecer coisas novas. Sem entusiasmo para análises acuradas e sentimentais. A literatura tomou conta do espaço.

Hoje, ouço a música do texto. O que sobrou de tanta pesquisa? O blues. O essencial. A rocha. O fundamento. O alicerce. A trilha sonora da minha vida. Os caras que, ao me contarem histórias tristes ou sacanas, me deixam feliz. Encerro com uma indicação. Não se esqueçam de saborear Blues A-Plenty, de Johnny Hodges com Ben Webster.

Este texto também foi publicado no site da Interativa.

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