Como arrumar um trabalho maneiro

Eu trabalhei nas Lojas Americanas. Aliás, meu primeiro emprego em Goiânia foi de assistente de tesouraria, numa empresa de limpeza e vigilância. Não poderia haver exemplo mais gritante de pessoa errada no lugar errado. Por isso, fiquei pouco tempo.

O primeiro emprego da minha vida, diga-se de passagem, foi de atendente no balcão de uma padaria. Levantava de madrugada para abrir as portas com a rapaziada e preparar o ambiente para os primeiros clientes. Também não durou muito. Era chato pra caramba.

Meu segundo emprego foi numa fabriqueta de sacos de dormir. Não lembro o que eu fazia. Nada importante, com certeza. Mas lembro do relógio de ponto. Trauma. Era antigo. Você tinha que colocar uma cartela nele e puxar uma alavanca. Ele fazia um barulho dos diabos e perfurava a cartela, que era devolvida para um quadro na parede.

Como eu detestava aquele relógio de ponto. O modelo me persegue. Atualizado, ele cospe um cupom, depois que você coloca a digital para leitura onde, antes, entrava a cartela. O propósito é o mesmo. Registrar seu horário de entrada e saída. Embaraçoso. Odeio relógios de ponto. Prefiro um relógio de vírgulas, mais engenhoso. Vou inventar.

Da fabriqueta, passei para o escritório de uma oficina de bombas injetoras. Moleque, tinha talento para arrumar empregos ruins. Sabe como é, dava meus pulos para ajudar em casa. Eu não gostava daqueles lugares. Mas ainda não sabia o que eu queria fazer na vida. Então, qualquer lugar era uma experiência válida, com um salário no final do mês.

Fui ‘maloteiro’ numa transportadora de remédios. Não entenda mal. Ficava no malote, departamento que recebia e distribuía correspondências, da matriz para as filiais e vice-versa. Meu chefe era bipolar. Na época, a gente dizia que ele era maníaco-depressivo.

Trabalhei numa estação climatológica, em Tucuruí, no Pará. Os meteorologistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia queriam saber se o lago, gerado com o represamento do rio Tocantins, na construção da maior hidrelétrica do Brasil, iria modificar o clima da região. Por isso, montaram a estação, com um monte de aparelhos.

Eles tinham que ser diariamente monitorados. Eu e um colega éramos responsáveis por isso. Foi um período maravilhoso. A primeira vez que eu realmente gostei do trabalho. Não tinha ninguém pra ficar no nosso pé e sobrava tempo para ouvir música, ler e escrever. Sim, eu fiz parte de clubes de correspondência que discutiam sobre rock. Mais um assunto para ser comentado em outra ocasião.

E as Lojas Americanas? Lá, fui locutor de ofertas. Pode rir, eu mereço. Sonorizava a loja e anunciava os produtos, além de animar as liquidações. Era até divertido. Depois, comecei finalmente a escrever em jornais e para rádios. Não parei mais, até hoje. Lá se vão bons pares de anos. Agora, danou-se. Será que eu me daria bem em outra atividade?

Este texto também foi publicado no site da Interativa.

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